24/03/09

Aparentemente Descomplicado


Tem um quadro onde repousa um selim, com uns pedais agregados, unidos à pedaleira, movidos por umas rodas e orientada pelo guiador. Também tem um espigão, desviadores, manetes, mudanças (leves e pesadas). Algo mais como escoras, garfo, forqueta, calços de travão para rodas de alumínio ou outros para rodas de carbono, cassete, ahhh e o kit pedaleiro deve ser composto por alguns 7 componentes e alguns deles são em cerâmica (e eu a pensar que era só a corrente e pronto!) e atenção que não estamos a falar de pedais!

Oh raios!

Mas onde é que uma coisa tão pequena, sem motor e feita para caber entre as pernas, pode ter tanta coisa?!!

E agora comecem a substituir quase tudo isto e que estávamos habituados a ver em alumínio pelo carbono, ou então pelo que já começa a aparecer no nosso país (e caríssimo) titânio!

Booooolas! Mas afinal isso não serve só para pedalar?!

E a cereja em cima do bolo?! (já oiço perguntar) é que se em casa havia um apaixonado por bikes de estrada, “agora” associou-se-lhe o pequeno monstro de 12 anos que desde há uns anos para cá percebe tanto disso como o pai e assistir a uma conversa deste tema entre os dois é delirante (já há 3 anos o “fulano” ao entrar numa feira de bikes começou logo a relatar o que via “tim tim por tim tim” deixando o pessoal que assistiu de boca aberta)

Ahhh e se o mais velho já corre há mais de 20 anos, este ano o (ainda) mais pequeno está numa escola de ciclismo (de estrada, claro!) oh god!! O que eu fui “arranjar”!!


16/03/09



Certo dia, ao ver um filme apropriado a adolescentes (dizem!), deparei-me com uma frase que muito ensinava e que rezava mais ou menos assim:

“Há uma grande diferença entre querer ser o melhor e fazer o seu melhor!”

E que grande verdade, só espero que os adolescentes a conseguissem ver.

O personagem continuava explicando as diferenças entre o querer ser e o dar o seu melhor e assim explicava porque o 2º lugar no pódium, numa competição onde ninguém acreditava sequer chegar a ser apurado, era o prémio maior e muito mais valioso do que o 1º lugar.

O esforço de quem se bate por fazer o seu melhor terá sempre o sabor filtrado dos medos, das incertezas, das ansiedades, das dúvidas, das desconfianças e demais sentimentos que assolam quem se dedica a fazer o seu melhor.

O esforço de quem faz o seu melhor trás um sabor a vitória, não pelo levantar do prémio, mas por saber que nada do que poderia e deveria ter feito ficou por fazer.

Ao invés do querer ser o melhor que não passa de um projecto, de um gosto, de algo a atingir… e que só está ao alcance de quem dá o seu melhor!


07/03/09

Oh God!


-"Este mundo está mesmo perdido!!
Dêem-lhe um GPS!"


saído do meu pequeno guerreiro de 12 anos.


05/03/09

E Depois



de o senhor meu pai afirmar ao meu então namorado que a filha tem um feitio esquisito, ou melhor, um feitio de merda (usando as próprias palavras).

Depois de namorar e casar, sem ter sido "pedida" em namoro ou em casamento.

Depois de me casar em ano de Inverno chuvoso (sim, casei-me em pleno Inverno) e conseguir tréguas com o S. Pedro pelos minutos necessários para as célebres fotos (e ainda que o fotógrafo não conseguisse pose dos noivos, que estavam mais na deles do que na dele - fotógrafo -, e ainda assim - o fotógrafo - considerar que foi o seu trabalho mais sublime)

Depois de ficar à espera duas horas para atravessar a ponte que na altura estava condicionada pelo mau tempo, e poder ir em noite de núpcias (com destino incerto e sem qualquer reserva). E quando conseguimos alcançar a outra margem verificarmos que a ponte foi mesmo fechada.

Depois de dar à luz uma menina que teimava em subir quando tinha de descer (se queria nascer) e de ficar com a equipa médica a aguardar pelo quase, para ir almoçar, que só findou no final do dia (poupei-lhes uma refeição).

Depois de gerar essa mesma menina que nasceu com 3,700Kg e eu a pensar que eram 2,700Kg e que a achava tão maravilhosa por a olhar com o amor que só os olhos de mãe permite ver (e passados uns segundos ter a equipa médica que seguiu a gravidez e teimou em assitir ao parto, com ela ao colo a franzir o sobrolho, mais babáda do que eu).

Depois de passados 3 anos, engravidar em altura biológicamente impossível (afirmado por todos os obstetras que se cruzaram com o meu processo e foram fazendo o favor de colocar um ? em todos os "comentários")

Depois de dar à luz, pela segunda vez, quando a equipa médica já tinha os piores prognósticos daquela urgência (sendo que fizeram o favor de me informar, passádo um dia de coma e os dois dias de unidade intensiva, a seguir à cesariana, que era o único caso em se que tinham salvo a mãe e o bebé).

Depois de olhar para a "obra de arte" que até uns tempos não passou de um ?, de uns enjoos que nem o mais potente dos químicos conseguiu abafar (e que por pouco era o motivo de internamento para o peso perdido), de uns pontapés bem valentes no ventre (no estômago e por tudo o que o separava da liberdade de espaço) e que se recusava em deixar-me dormir virada para o lado esquerdo e pensar "Este gajo tinha mesmo de existir, e lá foi ele em direcção ao óvulo pronto a fecundá-lo a todo e qualquer custo!"

Depois deste meu segundo tesouro ter nascido com 3,750Kg e dos médicos ficarem "à rasca" para o retirar, à mão, de dentro da placenta e de afirmarem que jamais poderia ter nascido de parto "natural" por ser tão grande (e só depois então verificarem que ele já tinha uma irmã daquela "envergadura")

Depois de uns factos conseguidos que para mim não passam de metas traçadas e alcançadas, e que para uns quantos amigos ficam em afirmações como "só mesmo tu para conseguir!"

Depois de me ter candidatado, já esta semana, a ingressão numa universidade.

Depois de tanta, tanta coisa que ainda me falta fazer e saber, ainda consigo ser supreendida com uma análise química ao sangue em que fiquei a saber que um dos meus tesouros é Rh -

Sendo que é do tipo 0 (zero ou vulgo O) torna o portador de tal preciosidade de sangue o dador universal (ainda que só possa receber este mesmo tipo e factor Rh -)

Estranho?!

Nããã

Depois de tudo isto (e muito mais), para mim, já nada é estranho!


03/03/09

I Have a Dream!



Ou tenho um projecto que conto cumprir a curto prazo.

Envolve crianças com necessidades educativas especiais (das que não se vêm mas se sentem), como dislexia, hiperactividade, défice de atenção, etc. Porque cada vez mais sinto (eu) a necessidade de me envolver directamente na problemática em que há muito estou inserida.

É certo que dá um trabalhão danado lidar com meninos e meninas tão normais, que apenas herdaram uma "disfunção" que lhes dificulta a vida nesta tão limitada sociedade. "Disfunção" porque foi assim que alguém rotulou algo que é difícil de trabalhar, educar, ensinar, compreender, entender ou que sai do convencional, embora seja fruto da natureza. "Disfunção" porque é bem melhor e mais fácil dizer que a tempestade se deve à fúria dos Deuses do que entender os fenómenos naturais que a originam. "Disfunção" porque a natureza os contemplou com um temperamento que não se enquadra nas escalas, nos rótulos, nas embalagens, nas categorias e calibres que a sociedade ditou. "Disfunção" porque é bem mais cómodo colocá-los à margem, fazendo parecer que estão completamente integrados numa sociedade que não só não os compreende, como não se preocupa, nem quer saber.

As várias “disfunções”, suavemente camufladas numa aparência dita normal, que prejudicam o desempenho e aprendizagem escolar estão-me na mira. Eu sei que não vou mudar o modo de actuar da sociedade mas se ajudar um menino que seja já tenho a minha batalha ganha… porque a guerra, essa, só mesmo com um batalhão mas eu já sou uma!

E não Sr. Ministro, apesar de termos esse número de técnicos de ensino especial no país, não passa disso mesmo.. estão no país mas não estão nas escolas! E os alunos com dificuldades de aprendizagem estão como sempre estiveram: largados ao abandono de um insucesso escolar que nem escapa aos ditos alunos "normais".

Deixemo-nos de hipocrisias, de colocar a culpa em fonte alheia:

Pais, encarregados de educação, professores, educadores, técnicos, formadores, ... preocupados, empenhados, mentalmente disponíveis, solícitos, ... PRECISAM-SE!!

Enquanto houverem meninos com um sonho...


02/03/09

Vivendo



Aos poucos vou “descobrindo” que não é por ter 2 automóveis que sou feliz, não é por ter uma moradia que sou feliz, não é pelo facto dos meus amigos me considerarem com nível económico acima da média que sou feliz, não é por poder planear um fim-de-semana diferente, ou umas férias, sem “olhar” a contas que sou feliz, não é por nada monetário ou materialista que detenha que sou feliz.

Sou feliz porque tenho junto a mim, todos os dias, aqueles que mais amo e preciso. Sou feliz porque todos partilhamos da mesma alegria e entusiasmo por exemplo quando numas férias no estrangeiro preferimos a liberdade de um bungalow num parque de campismo ao invés de um redutor quarto de hotel. Ou quando me dão uma flor apenas apontando para o solo dizendo “Aquela ali é para ti”.

Sou feliz porque sou a primeira pessoa a quem a minha família recorre, não só num pedido de ajuda como nas notícias mais “banais”. Sou feliz porque vou ganhando pequenas batalhas, sem saber quando (e se) acaba a “guerra”. Sou feliz porque sou forte e sou forte enfrentando os meus medos sem receios, sabendo que só assim não ficarei entregue ao fracasso. Sou feliz porque os meus filhos são felizes. Sou feliz porque eles sabem que têm uns pais presentes para todo e qualquer momento, em todos os segundos da sua infinita existência. Sou feliz porque darão sempre mais valor ao sentimento do que ao materialismo. Sou feliz porque ao meu lado tenho um dos pilares de toda esta obra grandiosa e juntos construímos um império.

Sou feliz não por olhar para aquilo que tenho mas por ver o que consegui edificar