28/11/06
16/11/06
Envolve-me
Foto daqui.Envolve-me
Para nos teus braços voar
Em teu corpo me perder
E nos teus beijos me encontrar
Envolve-me
Para na tua mente me consumir
Nos teus risos me viciar
E de tua imaginação me nutrir
Envolve-me
Que não há dia nem noite
Crepúsculo ou aurora
Que minha alma afoite
Como a tua em toda a hora
Envolve-me...
14/11/06
Na Lisboa Que Conheci

havia “leitarias” como ainda diz a minha avó. As torradas eram acompanhadas de “quartos-de-Vigor”, que ainda hoje vejo mas, na sua maior parte, apenas nos hipermercados. Havia senhoras de bata branca apregoando as “bolas de berlim” quentinhas com uma cesta grande tapada por um pano impecavelmente branco que, quando fazíamos sinal, ao levantá-lo deixava sair um aroma deliciosamente doce que só a minha mente consegue descrever. Eram tempos em que as crianças não tinham o problema da obesidade e, por isso mesmo, sempre que aguardava junto de uma paragem de transportes públicos, num bairro já “desmantelado” que deu lugar a uma via rápida, a minha avó insistia para que eu comesse uma bola e eu ficava sempre indecisa entre “ela” e os pasteis de nata (que alguns chamam de belém mas que as papilas ainda se recordam que eram bem mais agradáveis do que os existentes) e, por isso mesmo, quase sempre acabava por comprar uma bola e um pastel de nata emboar nem sempre os conseguisse comer de imediato. Também me recordo que a acompanhar as ditas senhoras dos bolos (não sei porquê mas só me recordo de ver senhoras) havia também os senhores que vendiam aqueles caramelos caseiros, enrolados em forma de chapéu chuva fechado, que dava um trabalhão para retirar o papel que os protegia do exterior e da nossa gula que nesse tempo era bem saudável. Lembro-me de levar uma moeda de 25 escudos, de comprar a bola, mais tarde apaixonei-me pelos palmiers recheados, os ditos caramelos e ainda podia comprar uns quantos flocos de neve com os quais ia adocicando as bocas.
Mas quero mesmo é recordar o ambiente das leitarias. Em como, de um simples lanche, se faziam momentos de agradáveis convívios em que se perguntava pelo filho do Sr. João do Talho que tinha emigrado, se a vida lhe era madrasta, ou pelo nascimento do novo rebento, a neta da Dª Rosa da retrosaria e tantos, tantos outros temas que podiam parecer banais mas que nos faziam sentir que pertencíamos a uma grande família.
Ainda hoje recordo as mesas e cadeiras, bem pesadas e frias de “ferro”. As mesas costumavam ter três pés que se uniam por um círculo, logo por baixo do tampo, que era aproveitado para pousar as malas das senhoras e fazíamos cá um barulhão com as cadeiras, devido ao peso tínhamos de arrastá-las ao invés de as levantar.
Para pedir um chá bastava isso mesmo. Não havia escolha de sabores, era chá preto que, na sua maior parte, ainda era medido á colher-de-chá para dentro do bule de água quente e ficávamos á espera de ver as folhas secas a abrir e repousar no seu fundo.
Os iogurtes também eram da Vigor. A embalagem era bem quadrada, não dava jeito nenhum para as mãos pequenas das crianças agarrá-los e tinham uma película fina de alumínio que teimava em ser retirada sempre aos bocados. Eram quase sempre de morango e os adultos ainda costumavam adicionar-lhes açúcar, muitas das vezes amarelo o que lhe ocultava o sabor da fruta para dar lugar ao sabor do característico açúcar e, talvez por isso, só me lembro de comer iogurte na leitaria uma única vez. De não gostar do sabor demasiado doce de tal combinação e de estar atenta aos bebés que se iniciavam nos respectivos derivados de leite e de pensar em como, coitadinhos, tinham de aguentar aquele doce todo.
O leite para os “galões”, que vinham sempre a escaldar e que muitos tive tendência em entornar devido aquela colher “enorme” que imergia do copo de vidro muito grosso, era entregue, pela leiteira, durante a madrugada em que ela substituía as garrafas vazias, que deixávamos na soleira da porta, por igual género e número delas bem cheias do liquido que, na altura, deixava o vidro completamente branco quando ficavam vazias.
O café, bem o café não era café, era uma espécie de mistura torrada em que se colocavam umas quantas colheres-de-sopa na cafeteira, convinha ser grande, já com água previamente fervida, com extremo cuidado para não derramar pois a mistura logo subia e sujava o fogão todo. Ficávamos a aguardar que as “borras” descessem até ao fundo enquanto íamos salivando com a intensidade de tal aroma. Só mais tarde pude provar o “café”, era de suave e impregnante sabor. Perdoem-me se não consigo descrever com palavras mas apenas com a reacção dos meus órgãos sensoriais… mmm… já salivo!
Até consigo ter saudades das “carcaças” com “manteiga Planta” (que de manteiga não tinha, nem tem nada mas que nos sabia divinamente acompanhadas pelo tal “café”) ou ainda do “filete afriambrado” que teimávamos em chamar de “fiambre”, pelo qual eu não morria de amores e preferia substituir pela “mortadela”. Agora o que eu gostava mesmo, mesmo, de colocar nas carcaças cheirosas era o doce de tomate que a minha tia fazia e, á falta de pão, ia muito bem sozinho invadindo as papilas gustativas que logo se “enjoavam” de tal iguaria (mas era só por umas horas).
Hoje deu-me para isto, talvez porque o dia acordou com um manto branco que me fez lembrar do pano que, religiosamente, cobria o cesto grande de bolos ou, até mesmo, do branco do interior das leitarias…
11/11/06
25 Anos
Sabe a "pouco"
Esperavam-te as luzes da ribalta bem como os músicos que já haviam afinado os instrumentos enquanto aquecias a tua voz.
Foste entrando, em passo demorado, no palco demasiado grande para a intimidade pretendida pela tua música mas, ainda assim, pequeno para os muitos profissionais e amigos que te acompanhavam.
Não havia tempo para hesitações ou nervosismos. A luz branca realçava os primeiros acordes da viola que prendias entre os teus dedos até que o tom seguro da tua voz nos trouxe todo um universo de sensações.
Rendeste-te á cadência da música e cada som que proferias nos prendia todo e qualquer sentido. Foste cantando com alma e atingindo-nos com a tua calma. Na imagem os gestos que teu rosto teimava em fazer para livrares o corpo de tão intenso cântico.
Em cada canção, conjuntamente trauteada, soltavas emoções que nos faziam sofrer. Penávamos no tom lento e harmonioso da tua voz, na entrega que teimava permanecer no teu canto. Cada rima era um tiro certeiro á dor. Cada estrofe fazia-nos gemer o corpo e a alma. Era uma dor gostosa, aguardada, ansiada, pedida por todos os nossos sentidos. Aumentavam as investidas, resistíamos á tortura fazendo-te, também sofrer em cada tom uníssono que te abafava a voz até ao espírito.
Fazias soltar lágrimas que nos invadiam os olhos e a pele. Não foste benevolente com a chacina a que nos sujeitaste e, ainda assim, não nos cansávamos de te suplicar por mais e mais sofrimento.
Mereces tudo o que conquistaste, tudo pelo que batalhaste, todo a admiração, toda a estima de um povo que te admira pela tua franqueza translúcida, pelo teu modo de ser simples e directo. Mereces tanto quanto a dimensão a que nos elevaste: ao cume do universo emocional.
Foste entrando, cantando, sussurrando á alma, apelando ao tremor, chacinando os sentidos e, de vozes e espíritos completamente torturados, saímos aliviados por ter recebido tanto de quem já muito nos deu e nunca se cansará de nos oferecer.
Obrigada Rui e sempre, sempre Parabéns!
(até te perdoo termos-te “perdido” para o Norte)
08/11/06
"Desvios"

Continua-me a dar que pensar a afirmação de uma determinada personagem de novela. É verdade que todos os dias morrem milhares de pessoas, de entre as quais crianças e mulheres, devido ás inúmeras guerras existentes por esse mundo fora.
É facto demasiado sabido mas que não “incomoda” ou, pelo menos se incomoda, parece que não.
As imagens que vemos nos diversos órgãos de comunicação já não nos “atingem” ou, se atingem, parece que não.
Tornou-se um facto “banal” e todos nós estamos demasiado ocupados com a nossa vida para prestar atenção ás “misérias” dos outros.
Também é um facto que, a este ritmo alucinante, a natureza entrará em colapso e todo o globo está em perigo, incluindo a nossa própria espécie. É um facto que também não nos “incomoda”.
Este assunto, tenho quase a certeza, que não incomoda quase ninguém.
Quantos de nós já não afirmaram não fazer reciclagem pois são raros os casos que conhecem de alguém que o faça?! E quantos de nós, aquando das notícias relacionadas com defensores de diversas causas da natureza, já não afirmaram que “aqueles fulanos” são completamente “passados”?! Quantos de nós não olha apenas para o seu próprio umbigo, como se fosse um ecossistema único, como se não existisse nada nem ninguém digno da sua atenção sem sermos nós mesmos ou os nossos próprios problemas?!
Então continuo a perguntar-me o porquê de, quando somos “alheios” a problemas tão sérios, continuamos a prestar demasiada atenção á vida sexual dos outros. Digo demasiada porque, se nos “passa ao lado” o problema do aquecimento global em que todos somos directos responsáveis, então porque raio teremos algo a ver com a tendência, ou “desvios”, sexuais de certos conhecidos, e até de desconhecidos?!
O que é que nós temos a ver com as escolhas, ou opções, sexuais dos outros se não somos seus parceiros de “lide”?
Numa era em que tudo é “normal”, em que tanto nos é “alheio”, continuamos a encarar os assuntos sexuais com os mesmos tabus de há 500 anos.
Muitos de nós conhecemos pessoas que são catalogadas como tendo “desvios” sexuais. Muitos até os têm no seu grupo de amigos mas não deixa de ser curioso que essas pessoas (ditas “desviadas”) muito lutaram para conquistar o seu merecido lugar na sociedade.
Dos “desviados” que conheço todos são extremamente educados e respeitadores. Todos são dedicados ás amizades sem quaisquer outros interesses (e muito menos sexuais).
Continuamos a “vê-los” como se sofressem de uma qualquer doença contagiosa quando, na verdade, não temos rigorosamente nada a ver com a escolha sexual que eles fizeram (a não ser, como já disse, que sejamos, ou venhamos a ser, seus parceiros sexuais).
Numa altura em que a televisão, através de novelas e séries de ficção, muito fala de um “desvio” sexual no meio dos casais como o swing. E após ver o trabalho dessas personagens em que nos dão a conhecer o drama que esses casais vivem ao terem de dar satisfações a amigos, familiares e outros demais conhecidos, muito me pergunto eu: o que terão as outras pessoas a ver com a opção sexual desses mesmos casais?
Causa-me uma certa impressão que problemas tão sérios e completamente dependentes de todos nós não mereçam a nossa mínima atenção para, perante a vida sexual dos outros, nos vejamos, isso sim, “obrigados” a intervir.
Continua-me a fazer “impressão” mas tenho mais com que ocupar a minha breve existência portanto vamos lá ao trabalho.
A questão da sexualidade poderão “esquecê-la” mas os problemas do globo, por favor, não!
É que todos, mesmo todos, temos a ver com isso!
03/11/06
Duvidas?
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