
Não será na nossa semelhante diferença que está aquele “je ne sais quoi” que nos acelera o peito, retira o fôlego e que torna uma conquista arrebatadora?


Por vezes dava por si a pensar o quanto seria estranho afirmar a desconhecidos o quanto gostava da mudança, de novos rumos, novos trilhos, de os desbravar, da aventura dos novos percursos, novos “virares”, novos cheiros, novas luzes, novas cores, novas paisagens e, prin-ci-pal-men-te: surpreeeeeesa!…
Porque para certas pessoas, o novo se faz apaixonante pelo desconhecido, pelo desafio de sermos contemplados com a surpresa, ontem, hoje e sempre, ainda me revejo num qualquer recanto do 3º mundo a dar o que fiz questão de adquirir. Mais do que aprender e/ou ensinar, a humanidade evolui pela partilha de experiências, de sentimentos e, sobretudo, de sentidos que, juntos, caminhem na mesma direcção: rumo a um mundo melhor…
Será que faz sentido?!
(deixou de ser significativo, desde que se seja o caminho…)

Isto de percorrer a N1, desde Lisboa a Curia, revela-se uma verdadeira tortura. Não pela falta dos cruzamentos desnivelados, das 2 e 3 filas de trânsito nos 2 sentidos, ou pelo limite de velocidade imposto (que para esses "males" temos sempre a A1!) mas sim pelo ar decadente com que desfilam os monos que à sua beira (e agora até me foge o ar sulista) outrora mostraram todo o seu esplendor.


Haverá sempre uma carta por escrever a quem me deveria querer maior bem mas que sempre me proporcionou maus momentos na vida… por escrever porque as palavras nunca serão capazes de expressar todo o sofrimento causado e toda a força que fui arremessando nesta minha caminhada.
Ainda assim, e porque há sempre uma lição a retirar de todos os episódios desta minha “novela”, espero sinceramente que possas encontrar o teu momento de serenidade e paz e que consigas te perdoar por tudo o que não fizeste, por tudo o que nunca te interessaste, por tudo o que nunca quiseste sequer conhecer.
Não sei se por medo de gostares da tua filha, sempre conseguiste manter-te insensível aos olhos dos outros mas aos meus… sempre te vi como fraco, incapaz de aceitar o coração que tens no peito, tentando transparecer que mais é uma pedra diante das atitudes que formam uma vida.
Pode parecer triste mas essa tua escolha, essas tuas constantes más escolhas, em nunca teres sido ou quereres ser um pai, fizeram de mim um poço de sensibilidade, de querer dar tudo, querer saber tudo, querer sentir tudo e mais importante ainda, querer participar e contribuir para todos os bons sentimentos e momentos dos que me rodeiam e que tanto amo. Se formula cientifica houvesse teria certamente um negativo e um positivo elevado a algo de inversamente proporcional…
Não estou triste por mim mas sim por ti e entristece-me saber que estiveste tão perto de conhecer algo tão belo e tenhas passado ao lado sem a querer conhecer e sentir… da mesma forma que me entristece sentir que nunca foste, és ou serás lembrado como uma boa recordação.
Quis dar aos meus filhos a educação, compreensão, amor e carinho que nunca me deram, que nunca me deste, e quis principalmente dar-te como avô mas hoje vejo que foi missão condenada logo à nascença, como posso eu dar um avô aos meus filhos se nunca tive um pai?
Ficará sempre muito por dizer, quase tanto como o que ficou por fazer e sentir e se falar se resumir apenas aos maus momentos que me fizeste e fazes sentir, peço para que me perdoem os deuses quando penso que mais valia teres ficado pela memória dos abandonos de criança e que nunca deverias ter cedido ao capricho do jogo em que também eu fui apenas uma jogada de pura má sorte…
Diante de quem me conhece não tenho de me justificar e estas azedas linhas serão parcas perante tanto, mas tanto, que poderia debitar.
E pegando na sabedoria das minhas amizades, no meio de tudo o que o meu pai tem de mau, tem uma das melhores: a filha!! Pena que nunca a tenha querido conhecer mas não vou deixar de ser quem sou, e não, não vendo a minha alma ao diabo!!
Espero que este assunto possa ficar por aqui.. vamos lá receber bem 2012!



Poderia ser outra qualquer definição desta pequena palavra de três letrinhas apenas (e que não é “mãe”) mas é, tão somente, referente ao que somos. A matéria, essa, fica muito para além do querer e o que somos será, indiscutivelmente, o que acompanhará os últimos segundos da nossa matéria.
Mais do que acreditar que existe vida para além desta que agora conheço, quero acreditar que há um mundo bem melhor, uma dimensão onde podemos ter a paz e harmonia e onde os valores se confinam aos sentimentos de cada um, sem peso, sem conta, sem medida...
Porque continuam a marcar-me profundamente as injustiças e crimes cometidos diariamente, ao segundo, a todas as crianças e porque hoje até senti o peso de poder não conseguir encarar com a ligeireza recomendada as situações com que a minha condição de técnica de educação se depara… e talvez até seja porque a hora já vai tardia, com a noite a entrar pela madrugada, revelando as baterias descarregadas… resta-me relembrar e sentir, mais do que tudo e sempre, que somos SER
(e por algum motivo bem forte não nos apelidámos de TER…)
E o lema continua… enquanto houver vontade haverá sempre um caminho… J