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06/03/12

Perspectiva


Isto de percorrer a N1, desde Lisboa a Curia, revela-se uma verdadeira tortura. Não pela falta dos cruzamentos desnivelados, das 2 e 3 filas de trânsito nos 2 sentidos, ou pelo limite de velocidade imposto (que para esses "males" temos sempre a A1!) mas sim pelo ar decadente com que desfilam os monos que à sua beira (e agora até me foge o ar sulista) outrora mostraram todo o seu esplendor.

Bem tentei procurar uma luz, por mais ténue que fosse, de alguma inovação, modernismo ou progressão, por entre os variadíssimos negócios com que a N1 nos presenteia e a única conclusão a que chego é que, para além de ter sido um pleno centro comercial e financeiro a céu aberto e este sim dos maiores a nível mundial, esta pura e singela via de trânsito não se revela diferente de qualquer outro cenário em Portugal: decadente e a precisar urgentemente de muito trabalho!

E o mal mesmo é quando as politiquices começam a ser bem mais do que o trabalho “in loco” e arregaçar as mangas se limita a lançar medidas de austeridade semanais, a (re)ver leis, cortar aqui (de preferência nos direitos), acrescentar ali (nas taxas e impostos, parece-me bem)…

Afinal, isto de mais “inginheiros” do que trolhas nunca deu grande resultado… e
como diria um amigo meu: mas isto sou eu que tenho a mania de olhar e ver!


18/09/08

De Rastos


Quero voltar a acreditar, preciso, que as provas que a vida nos coloca não são por acaso, serão sim porque fomos “seleccionados” porque temos estofo para as enfrentar e ultrapassar. Porque na natureza só os mais fortes são escolhidos e conseguem enfrentar tais provas.

Não é um orgulho e por isso raramente falo das minhas provas. Orgulho-me sim de me surpreender e de, sempre que elas surgem, conseguir ir buscar forças não sei onde para as conseguir ultrapassar. Quanto muito posso orgulhar-me de ser uma lutadora e normalmente vencedora.

Digo normalmente porque a ultima prova a que fui submetida me deitou completamente ao chão, deixando-me K.O. em poucos segundos. Por mais que tenta compreender, ultrapassa tudo o compreensível, o tolerante, o admissível, o lógico ou razoável.

Toca num dos meus pontos mais sensíveis, se não O mais sensível e vulnerável: os meus filhos.

É completamente arrasador ter uma prova manifesta de total fracasso na sua educação, no ensinamento de todos os valores. É arrasador ver que falhámos no nosso maior e mais desejável “projecto”. É arrasador vermos um estranho no lugar do nosso filho. É arrasador e a vida poder-me-ia ter colocado tudo à prova menos isto.

É revoltante, incompreensível, intolerável, ultrapassa tudo o que eu possa ter imaginado (ainda que nos piores pensamentos), é ilógico, inadmissível, surreal…

A mágoa e revolta são tão grandes que abafam qualquer outro sentimento.

Para já não consigo entender o porquê desta duríssima prova. Mas acredito e (porque) preciso, que tudo tem um propósito e que um dia conseguirei que o pó do tempo e da sabedoria dissimule a cicatriz desta ferida...

O dia 17 de Setembro ficará para sempre cravado como o dia em que deixei de ver, de sentir, a minha filha no olhar de uma estranha...

E porque me sinto ferida, magoada, regresso sempre que conseguir deixar alguma palavra…