29/06/06

Esboço


Desenhei por entre a noite,
Figuras de esperança e cor,
Formadas por teu corpo

Com mãos leves e trementes,
Nos traços breves das entregas,
Presentes em minha mente

Os dedos que acariciam,
O nada que meus olhos avistam,
Da presença de um corpo ausente

Linhas que se estendem,
Em preces invocadas,
De tua sombra dispersa na noite


Gestos suaves delineados,
De um amor projectado,
Que acariciam o dia chegado

Mãos que invocam em preces,
Caídas perante as amarguras,
Ou diante de uma vida de agruras

Estes traços que te pedem com fervor,
De braços que agora estendo,
Numa dádiva plena de amor

24/06/06

Eu até



gosto de efectuar manobras mas não na estrada da vida!!!

22/06/06

Cheguei!



Estão a ver?

É onde estou! Bem lá no cimo! No topo de todo este terreno árduo!

Nestes últimos meses (que formaram os dois últimos anos) andei em constante caminhada.

Suei, chorei, quase que desesperei mas, mais importante que todos estes sentimentos:

Lutei! Esforcei-me ao máximo! Até que, finalmente, venci a escalada domando a montanha!

Sei que tenho outras escaladas á minha espera mas, por enquanto, é o gosto desta vitória que quero saborear!

21/06/06

Lembranças



Há quem as conheça já, as minhas "instruções", volto a trazê-las para me lembrar que não será por acaso (ou será?) que, a cada dia que passa, sabes lidar melhor comigo...


Instruções


Se disser que te quero… acredita

Se ouvires que não te amo mais… duvida

Se desabafar que ando cansada… receia

Se te pedir ajuda… coopera

Se te voltar as costas... abraça-me

Se me deixar abandonar… ergue-me

Se te deixar de ouvir… grita

Se já não me reconheceres… luta

Se me queres ver feliz… faz

Se me perder... encontra-me

Se duvidares… vê

Se acreditares… não te convenças

Se lutares… não duvides

Se receares… procura

Se encontrares... estranha

O que parece, pode não ser…

E nem sempre o que é, assim o parece...

(contráriamente ao previsível, para esta época, mantenho-me calma e já não tão cansada... pelo menos por hoje...)

16/06/06

Sim e Não




Na tempestade me perdi
Na brisa morna regressei

Dos teus braços fugi
Aos teus beijos me confiei

No maremoto fui arrastada
Das águas mansas renasci

Ao sol, quase que queimada
No fogo que arde por ti



A calma sem que venha a bonança
O sossego em completo frenesim

Que só quem muito quer alcança
A eterna busca sem fim

No trópico que foi vendaval
Ouvir para além do coração

O bem junto do mal
Quando o sim se uniu ao não

14/06/06

Estou de Feriado



Podem cair raios e trovões, chover a púcaros (ou potes, conforme preferirem)

Santa Bárbara resolveu "meter-se" comigo

Sexta-feira?! Não será esta, certamente!

Vou de feriado mas volto antes de sábado!

13/06/06

Ai S. Pedro




Em época de santos populares
Creio que errei no pedido
Ó São Pedro não é preciso te zangares
E tornar o nosso fim-de-semana perdido

Horas e horas a procurar
Estadias a preços de encantar
Logo agora que ia folgar
Lá vens tu o descanso lixar

Ai S. Pedro empenha-te lá um pouco
Pede aí uma dádiva aos céus
Qu’isto cá em baixo anda tudo louco
P’ra por os pelinhos ao léu

Bolas S. Pedro
Pensei não gostares das luzes da ribalta
Faz lá um esforço pá
E devolve o sol á malta!

12/06/06

E em Noite de Stº António




Santo António das multidões
Ó meu Santo adorado
Faz palpitar muitos corações
Certos olhos de nosso agrado

Ai Stº António casamenteiro
Valha-nos a sardinha, o vinho e o pão
Que em noite de beijo certeiro
Nos aprume a linguagem do coração

Vai mais um copito meu Stº venerado
Para as línguas se desenferrujarem
Ai anda cá meu bem amado
Espera só até meus lábios te beijarem

Muito, muito apressadamente que o trabalho só me dá folga na sexta-feira...

Bom feriado a quem o tiver que agora é hora de ir para o arraial!!!

08/06/06

Mudar / Crescer / Amadurecer



“Mudam-se os tempos mudam-se as vontades”

Será que as vontades mudam?

Ou pura e simplesmente a mudança está no crescimento do indivíduo que, a determinada altura, consegue alcançar o que, com falta de maturidade, não avistava sequer?

Sendo assim, em vez de mudança, não se deveria falar de crescimento?

E assim dizer como, estranhamente, ouvi uma personagem de novela afirmar:

“As pessoas não mudam, crescem!”

É verdade que, não poucas vezes, pensamos que os caminhos são demasiado tortuosos, cada vez mais afastados e preocupamo-nos em ver as pessoas que estimamos escapar-nos

Muitas vezes recordo um ditado:

“Amigo não é o que te impede de saltar do precipício, mas sim o que te ampara na queda”

Talvez porque já se tenha a maturidade suficiente para saber que há certos passos, por mais penosos que nos pareça, que têm de ser dados. Talvez por se reconhecer, com extrema facilidade, as ruelas sinuosas outrora frequentadas ou prestes a frequentar.

É verdade que dói demasiado quando alguém querido teima em escolher um caminho que não se coadune com o nosso.

Mas também é verdade que com o tempo, com o amadurecimento, com o crescimento, esses caminhos podem, numa outra encruzilhada, unir-se de novo.

Quantos já não tiveram de percorrer toda a estrada escolhida para, chegando ao fim, saber que o melhor caminho seria o do regresso?

Sei que dói muito

Que custa imenso guardar as recordações num baú e mantê-lo fechado

Sei que após o regresso as feridas custam a cicatrizar

Se sei…

As minhas continuam em processo, lento, de cicatrização…

05/06/06

Estranha Frescura



"Estranho...
É ver o que não vemos,
Gostar do que não queremos,
Não olhar para o que somos,
Olhar ao que fazemos.

Estranho…
É não olharmos à nossa volta…
Não vermos o que destruímos…
Não vermos o que somos…

Estranhos nascemos…
Estranhos vivemos…
Estranhos morremos.

Estranho…
É olhar o passado e ver o futuro.
Ou olhar o futuro e ver o presente.
Olhar o presente e não ver nada…

Mas eu…não sou apenas um estranho!
Sou eu!
Sou aquele que fala dos estranhos!
Que trata dos assuntos desconhecidos, estranhos…

Mas o resto…são estranhos!
Talvez todos o sejamos…!

Estranho…?! Talvez não…"


Diogo Silva – 8ºA

Estranho, poderia parecer, estas belas palavras brotarem da mente de um adolescente de, apenas, 14 anos!

Disse "poderia" porque afinal, não me parece tão estranho que esta geração seja bela, seja louvável e, acima de tudo, tenha direito a que acreditemos nela...

Estranha frescura ou apenas a alma á flor da pele...