
“Mudam-se os tempos mudam-se as vontades”
Será que as vontades mudam?
Ou pura e simplesmente a mudança está no crescimento do indivíduo que, a determinada altura, consegue alcançar o que, com falta de maturidade, não avistava sequer?
Sendo assim, em vez de mudança, não se deveria falar de crescimento?
E assim dizer como, estranhamente, ouvi uma personagem de novela afirmar:
“As pessoas não mudam, crescem!”
É verdade que, não poucas vezes, pensamos que os caminhos são demasiado tortuosos, cada vez mais afastados e preocupamo-nos em ver as pessoas que estimamos escapar-nos
Muitas vezes recordo um ditado:
“Amigo não é o que te impede de saltar do precipício, mas sim o que te ampara na queda”
Talvez porque já se tenha a maturidade suficiente para saber que há certos passos, por mais penosos que nos pareça, que têm de ser dados. Talvez por se reconhecer, com extrema facilidade, as ruelas sinuosas outrora frequentadas ou prestes a frequentar.
É verdade que dói demasiado quando alguém querido teima em escolher um caminho que não se coadune com o nosso.
Mas também é verdade que com o tempo, com o amadurecimento, com o crescimento, esses caminhos podem, numa outra encruzilhada, unir-se de novo.
Quantos já não tiveram de percorrer toda a estrada escolhida para, chegando ao fim, saber que o melhor caminho seria o do regresso?
Sei que dói muito
Que custa imenso guardar as recordações num baú e mantê-lo fechado
Sei que após o regresso as feridas custam a cicatrizar
Se sei…
As minhas continuam em processo, lento, de cicatrização…