
Na revista Sábado (mais uma das completamente credíveis) está presente um assunto que pode gerar alguma polémica (alguma? Só á primeira vista):
“Mulheres que preferem os maridos aos filhos”!
Pode parecer polémico sim (pelo menos a mim, que sou mãe…)
No entanto, depois de lido o artigo, de compreendida a verdadeira “essência” da questão, sou levada a entender completamente o que a referida senhora afirma.
É fácil, nos tempos que correm, transformar a maior parte dos nossos valores existenciais em algo palpável… em bens materiais… e quem fala em materialismo fala em dinheiro.
A dita senhora afirma que, após os filhos estarem “criados”, apenas dependem dela para lhe pedir dinheiro e que terá de ser ela a contactá-los para saber se estão bem de saúde pois os mesmos não se preocupam minimamente em ter notícias dos pais.
E vai acrescentando que não poderá ficar indiferente ao amor que sempre sentiu pelo companheiro e que foi correspondido ao longo dos anos em que, lado a lado, partilhavam as tristezas e as alegrias…
Entretanto, dou comigo a pensar que: não tenhamos ilusões!
Sou mãe de crianças (ainda, mas que crescem a olhos vistos!) e sei que, muito embora os “crie” com os valores que eu considero os essenciais, eles serão o que a cabecinha deles lhes ordenar e não, apenas e só, o que eu lhes transmitir.
Que farão o que bem entenderem e não o que eu lhes pedir ou disser.
E se é injusto?! Pode ser sim mas a vida é mesmo assim (mais injusta que justa).
Na sociedade portuguesa (e não só), a mulher ainda é educada a viver apenas e só para o lar e consequentemente para os filhos. Quantos casamentos (ou relações) não há que só após o nascimento dos primeiros filhos é que a “prova” é dada como ultrapassada?!
Eu amo os meus filhos acima de tudo e até costumo dizer que: homens há muitos e filhos só temos os que são nossos. Mas após ler as afirmações e verdadeira lição de vida desta mulher (e como ela há milhares de outras, basta olharmos para os casos que conhecemos e não será assim tão difícil encontrar pais que estão verdadeiramente á margem da vida dos filhos) tenho de compreender a afirmação que é feita.
E dizia eu que, na sociedade portuguesa, a mulher é educada a viver, apenas e só, para o lar sendo o verdadeiro centro do universo os filhos.
Há casais (e agora terei de falar em ambos porque não depende apenas da mulher) que relegam a vida conjugal completamente para segundo, terceiro, quarto plano ou pura e simplesmente se esquecem. A vida é feita completamente em função das crianças. Eu sei que nos primeiros anos de vida dos nossos rebentos é difícil não acontecer. São os horários que temos de respeitar (senão lá vêm as eternas dúvidas: Será que precisa de comer agora? Mas está a dormir tão bem! Será que o/a acordo? Etc. etc.) são os "relógios" que agora começaram a funcionar em função daquele pequeno ser que de nós depende, que amamos acima de tudo, e que tudo sacrificamos para o seu bem-estar! (eu também o fiz)… continuando nos casais, e porque cheguei á faixa etária dos filhos de 8 ou mais anos (no meu caso de 8 e 13, a celebrar no próximo sábado) posso dizer que, pelo que observo com os meus amigos, não será assim tão difícil começar a pensar um pouco mais na vida “intima” do casal.
Eu acredito que todo e qualquer casal precisa do seu momento
Sei que há filhos mas antes de haver a mãe ou o pai, há a mulher e o homem, que se conheceram, que se amaram (e espero que continuem a amar) e que decidiram “abraçar” em conjunto o futuro (uma vida inteira se possível). Há os desejos, há as vontades, há as expectativas… e mais… e mais… que não nos poderemos esquecer…
Não concordo de todo com a “separação” familiar constante, usada e abusada, em prol do bem-estar do casal.
Não concordo que se faça desses momentos, o dia-a-dia
Mas concordo e sou adepta, a que se dê umas escapadinhas da vida quotidiana, que se “rapte” o/a parceiro/a por uns momentos só nossos…
Alguns poderão dizer-me que não há nada que não façam em casa!
Pois eu digo que há tudo! Tudo o que ainda não experimentaram, não viveram, não descobriram (para os que já o fizeram sabem bem do que estou a falar).
Há um momento em que somos apenas e só o homem e a mulher. Em que se acende a chama que sempre houve (mas por vezes passa despercebida) da relação amorosa. Em que os momentos de prazer até podem não ser mais intensos que os que passamos em casa mas que o saboreamos com outro gosto.
São os momentos em que sorrimos SÓ para a pessoa que escolhemos ter ao nosso lado, em que a entrega é SÓ para o/a nosso/a parceiro/a e voamos de almas juntas e mãos dadas.
Em que estamos SÓ para ele/a.
Somos NÓS!!!
Tu e EU!!!
Num SÓ!!!
São os momentos que, juntamente com outros momentos bons (muito bons), ficarão marcados na nossa memória quando as dificuldades surgirem (porque elas existem e teremos de enfrentá-las é verdade), serão o “sal” na nossa relação (daí que tenha de ser q.b.) o condimento necessário para que nos sintamos como casal e não apenas como pais.
Pensem nisto!
Pois eu ando a pensar muito e até consigo entender as afirmações que li na revista Sábado!
Não deixem a rosa murchar!
(sem querer ferir susceptibilidades é claro, este post é apenas e só o que eu penso)